Home » Escola Anne Sullivan

EQUIPE:

Gladis Teresinha Taschetto Perlin
Ida Lichtig
Leland Emerson McCleary
Maria Silvia Cárnio
Ronice Muller de Quadros
Aline Lemos Pizzio
Carolina Hessel Silveira
Karin Lilian Strobel
Maria Carolina Casati Digiampietri
Patrícia Marcondes Amaral da Cunha
Silvana Aguiar dos Santos
Tarcísio de Arantes Leite

TÍTULO: ESCOLA ANNE SULLIVAN

INSTITUIÇÃO FINANCIADORA: Fapesp

DATA DE INÍCIO: 1997

DATA DE FINALIZAÇÃO: 2001

DESCRIÇÃO: Projeto elaborado pelo NACE Escola do Futuro – USP e financiado pela FAPESP dentro do Programa Especial de Apoio a Pesquisas Aplicadas sobre o Ensino Público no Estado de São Paulo iniciado em 1997, com duração de quatro anos. O objetivo do projeto era promover uma experiência conjunta com a Escola Municipal do Ensino Fundamental "Anne Sullivan", articulando atividades que reverteram em melhores condições para o aprendizado da leitura e escrita dos alunos deficientes auditivos. O sucesso educacional do surdo, e, mais tarde, sua empregabilidade e capacidade de concorrer com maior igualdade com pessoas ouvintes, dependem muito das oportunidades que a escola oferece provendo conhecimento do mundo, e, em especial, do mundo da informação. A primeira fase do projeto contou com a pesquisa e implantação de uma midiateca inaugurada em dezembro de 1997. Uma equipe de dez professores e a da administração da escola trabalharam com pesquisadores da NACE Escola do Futuro - USP revendo práticas de ensino, testando novas abordagens e estabelecendo, como parte da rotina curricular, o uso da midiateca que estava sendo desenvolvida concomitantemente. A pesquisa desenvolveu duas linhas de atividades paralelamente. Uma delas enfatizou o trabalho com os professores na compreensão dos processos de aprendizagem da língua, especificamente da leitura e escrita. Esse trabalho envolveu estudos teóricos sobre língua e aquisição de língua; sobre desenvolvimento de capacidades comunicativas e o domínio dos usos sociais da língua; sobre leitura e escrita; sobre metodologia de ensino; e sobre recursos tecnológicos disponíveis para auxiliar o ensino. A outra linha de atividades desenvolveu, no âmbito da escola, a Midiateca, ou centro de recursos para a informação e aprendizagem, utilizando-se das tecnologias da comunicação para enriquecer o contato que o aluno surdo tem com o mundo da informação e preparando-o para ser um usuário proficiente da informação necessária para o exercício pleno da cidadania. Ao ser integrada ao currículo, sua função principal da Midiateca foi desenvolver a capacitação nas práticas e habilidades informacionais, ou seja, desenvolver o letramento informacional, fazendo com que a informação coletada tivesse significado para o processo de construção do conhecimento do aluno. A segunda função foi a de servir como centro de recursos instrucionais para professores e pais de alunos surdos - subsidiando sua compreensão das necessidades e da realidade social dos surdos - bem como para a comunidade surda, disseminando em website via Internet assuntos relacionados à surdez e à cultura surda.

Os resultados de pesquisa levaram o grupo de pesquisadores aos seguintes posicionamentos:

* O fator principal no desenvolvimento do aluno no ambiente escolar é a quantidade e a qualidade de interação social e lingüística à qual ele tem acesso;

* Como a língua de sinais é a única que o surdo pode adquirir com alto grau de fluência, esta deve ser usada na comunicação com a criança surda o mais cedo possível e dever ser cultivada na escola a fim de formar a base do seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional; isso exige dos professores maior fluência em língua de sinais;

* A escola deve incentivar a comunicação entre pais (na maioria ouvintes) e seus filhos surdos, apoiando o uso do contato físico, do olhar, de gestos e da língua de sinais; essa comunicação deve incluir a contação de histórias e o uso da língua para a negociação de atividades e para a externalização dos sentimentos e de processos de raciocínio;

* A habilidade de compreender e de contar uma história é um aprendizado fundamental para preparar o aluno para qualquer trabalho com texto; essa habilidade é mais facilmente desenvolvida em sua língua materna e fluente, a língua de sinais; sua compreensão da forma da narrativa como um gênero contribui, depois para sua compreensão da leitura em português;

* A língua de sinais é uma língua natural que demonstra todas as características de qualquer outra língua humana; não é um mero conjunto de gestos; têm uma gramática complexa e sutil que na maioria das vezes é ignorada pelos professores que usam sinais com seus alunos;

* Nenhuma língua pode ser aprendida por partes, através de palavras isoladas ou de textos sem sentido; a língua é um instrumento de comunicação, de expressão e de elaboração do pensamento, e é aprendida através do seu uso comunicativo e expressivo;

* Os alunos, percebendo o envolvimento dos professores e dos pais em aprender a língua de sinais, se empenham em ajudá-los, estabelecendo assim maior equilíbrio de poder entre professor, pai e aluno, e dando ao aluno maior autoestima;

* Os professores, por não enxergarem o mundo como o surdo o enxerga e por aceitar inconscientemente a noção de que a surdez é uma deficiência e o surdo um deficiente, podem alterar suas expectativas para com seus alunos; esperam níveis baixos de desempenho e assim ajudam a provocar, com essa atitude, os próprios níveis esperados;

* Apesar da comunicação através da língua de sinais ser fundamental para o aprendizado do aluno, não é o suficiente; os professores devem se empenhar em desenvolver uma didática mais apropriada, garatindo a contextualização e a significação das atividades e criando oportunidades para a comunicação e para a auto-expressão dos alunos;

* Não existe um único método de ensino de leitura e escrita para o surdo e muito menos existe a possibilidade de achar um software ou uma técnica que resolva todos os problemas de ensino-aprendizagem; as maneiras dos alunos lidarem com a língua oral e a língua escrita são muito variadas e exigem do professor uma grande atenção ao comportamento do aluno e uma flexibilidade de atuação dentro do movimento da aula;

* Softwares podem ser úteis para atividades pedagógicas pelo fascínio que despertam no aluno e pela autonomia que o aluno desenvolve através da criação de textos com desenhos, histórias e outras apresentações de autoria;

* Alunos e pessoas surdas de forma geral são excluídos do acesso à informação em instituições como as redes de bibliotecas públicas e nos meios de comunicação de massa; suas necessidades especiais de comunicação (o uso da língua de sinais e de legendas em closed caption) são ignoradas, e existem pouquíssimos materiais educacionais e culturais de qualidade acessíveis especificamente por esse setor da população;

As pessoas surdas sofrem outro tipo de exclusão sociocultural devido à falta de publicações que tratem dos seus interesses e que o representem adequadamente, sem preconceito.